1 de Novembro e o Halloween

Há exactamente um ano atrás, escrevi um post sobre o feriado do 1 de Novembro. Este ano, nada se alterou, rumámos em direcção a Leira e passámos um dia a distribuir (e comer) chocolates. É um dos meus feriados preferidos, um dia que tenha filhos vou adorar levá-los para a aldeia do A., com uma bolsinha, e vê-los viver uma tradição que eu, quando era criança, não tive a hipótese de viver.

Já agora, para quem não sabe, para o ano, vamos estar a trabalhar no dia 1 de Novembro e a tradição vai passar para o Domingo seguinte.

Apanhei vários comentários sobre a adopção do Halloween em Portugal, que me deixaram a pensar. Por norma, defendo as nossas tradições com unhas e dentes, na maioria das vezes, por uma questão de valores e de identidade e não gosto de ver as nossas tradições a serem substituídas por tradições de outros países. Contudo, em relação ao Halloween, eu tenho sentimentos contraditórios, por um lado ia odiar ver vestígios de Halloween  em aldeias como a do A., pois iria chocar com uma tradição bastante enraizada na população que subsiste até aos dias de hoje, por outro lado, não vejo qualquer problema em ver abóboras nas janelas e bruxinhas de palmo e meio a passear em cidades como Lisboa.

Em Lisboa, os vizinhos não são vizinhos de uma vida, os perigos são maiores e as pessoas não estão preparadas para andar a distribuir doces às crianças. Se assim é, se não há espaço para esta tradição, então, porque não encher a casa de abóboras e aranhas recortadas ou mascarar os miúdos de bruxas e esqueletos? Não sendo possível adoptar a nossa tradição, porque não importar uma (que até tem algumas parecenças) e aproveitar para viver um dia diferente e divertido? Se eu fosse criança, ia adorar ganhar um dia onde pudesse andar mascarada, comer doces até ficar com dores de barriga e ouvir histórias assustadoras.

Se daqui a 100 anos andarmos todos a recortar abóboras para o 1 de Novembro, não seria a primeira vez que estaríamos a adoptar uma tradição de outro país, e aquele senhor barbudo, que desce pelas chaminés e distribui presentes, e a quem todos chamamos de Pai Natal, é um excelente exemplo disso mesmo. A imagem do Pai Natal que hoje conhecemos e que nos é tão familiar como o pastel de belém, foi uma imagem criada por um jornal dos EUA, há uns 150 anos.

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